Nárgassa

Ripópla a Nargassas
República da Nárgassa
Bandeira de A Nárgassa
Brasão de A Nárgassa
Bandeira Brasão
Lema: Evi Ugassas Aviss! (Ouçam nossa voz!)
Gentílico: Nárgasso

Localização de A Nárgassa

Capital Narra
Cidade mais populosa Narra
Língua oficial Nargo
Língua não-oficial Sávasso, Tuam
Governo República Parlamentar Unicameral
 - Primeiro-Ministro Caissis a Movva
 - Azemblorgoss (Condutor da Assembleia) Duvos Treí

A Nárgassa, oficialmente a República da Nárgassa, é um país situado na parte ocidental do continente de Hyrvil, cercado pelo oceano de mesmo nome ao sul, leste e oeste, e fazendo fronteira com Ay-Bras ao norte. É o maior e mais populoso país do continente, com uma população de 25 milhões de pessoas em uma área de 327.332 km², e portanto o 23º mais populoso e 30º maior país de Adalar. A Nárgassa é uma república parlamentarista unicameral.

EtimologiaEditar

Nárgassa (em nargo, Nargassas) é o nome nargo da macrorregião hyrvílica que a república da Nárgassa e seus estados antecessores ocuparam majoritariamente. Com raras exceções, acredita-se que o nome deriva do antigo harrômio "Nyr" (Branco) e "Akadze" (Encosta). Por muito tempo, a primeira aparição concreta do nome na escrita era atribuída à obra "A Condução da Nárgassa" (em narronargo, Niargasseimorgossis), de Nargassemorgoss Iuavisso I. No entanto, evidência arqueológica recente revelou a existência de manuscritos atribuídos a oficiais burocráticos do Reino Harrômio contendo a grafia "Nyragazzas", datados de aproximadamente três séculos antes.

HistóriaEditar

Pré-HistóriaEditar

Evidências de presença humana na Nárgassa são relativamente recentes, datando aproximadamente de, nas estimativas mais antigas, 50.000 anos atrás. O número é questionado por diversas autoridades, porém, que afirmam ser mais provável a cifra de 30.000. Há poucos locais conhecidos de excavação arqueológica na Nárgassa, de modo que há pouca fonte de informação.

AntiguidadeEditar

Os primeiros traços de civilização encontrados na Nárgassa datam de aproximadamente o século XXIII, constituindo um grupo populacional espalhado pelas ilhas da região mas com objetos culturais e restos de arquitetura altamente consistentes. Provavelmente vindos da Letânia Ocidental, os habitantes da Nárgassa pré-histórica, chamados de írvicos em razão da ilha nárgassa em que foram primeiramente encontrados sinais de sua existência (Irva), desenvolveram uma sociedade talassocrática, construindo uma densa e emaranhada rede de comunicações marítimas entre as várias habitações costeiras que habitavam, e também estabelecendo laços comerciais com as civilizações tanto habitantes das outras regiões ao norte e ao sul de Hyrvil, bem como com algumas regiões da costa da Letânia.

A chegada da idade do bronze à Nárgassa trouxe inovações às técnicas agrícolas e extrativistas da região, introduziu novas ferramentas de guerra, e também viu o surgimento de alguns sistemas distinto de escrita, bem como a consolidação de alguns reinos mais concisos e bem-organizados que no período anterior. A prosperidade agrícola viu o aumento dos fluxos comerciais ao redor da Nárgassa, o que propiciou o início da construção da administração nárgassa característica dos reinos da época.

Idade MédiaEditar

Ao final do século Ao final do século XXXIX, já acabado o período de auge comercial da civilização mesonargássica, as ilhas da Nárgassa já não contavam mais com tantos contatos com seus vizinhos imediatos de Hyrvil e da Letânia Ocidental, passando a viver em relativo isolamento. Para além disso, as diversas entidades que dominavam várias das ilhas em escala local tiveram seus territórios dominados por apenas três reinos: o Reino de Savassil, que dominava o sul tropical da ilha de Sívissa; o Reino de Harrom, que dominava o centro da Nárgassa (o norte da Sívissa e algumas ilhas adjacentes); e o Reino de Iliamir, que dominava as ilhas do norte. Esse compartilhamento de hegemonia deu origem a um período de estagnância bélica, caracterizada pela lentidão dos avanços tecnológicos, pelo menos em parte em razão das longas e frequentes guerras sem resultado lutadas entre as três potências.

O Reino de IliamirEditar

O Norte insular da Nárgassa viu, no princípio do quarto milênio, o surgimento do Reino de Iliamir. Com centro geográfico, econômico e cultural na ilha de Vaissas, a segunda maior da Nárgassa, a monarquia iliamírica tem suas origens na cidade-estado de Aiós, grande participante do auge comercial nárgasso da era do bronze. Primeiro servindo de porto de escoamento da produção agrícola do interior vaisso, a cidade de Aiós foi pioneira na construção de uma força dedicada de marinha de guerra. Ao contrário da maioria das expansões dos reinos de Savassil e Harrom, o crescimento iliamírico se deu a partir de alianças e relações comerciais, através do monopólio aióio sobre a escolta comercial no norte nárgasso.

Estandarte usado pelo reino de Iliamir a partir de 4521

Apesar de não ter sido o primeiro dos três reinos a ser fundado, Iliamir teve como antecessor a Liga do Mar Vaio, uma organização militar e comercial que englobava muitas das cidades-estados costeiras e insulares do norte nárgasso ainda nos dias tardios da idade do bronze. Ao longo dos primeiros séculos do quarto milênio, porém, a cidade de Aiós expandiu seus próprios territórios mais rapidamente que os outros membros da Liga, eventualmente fundando o Reino de Iliamir em 4403. Formalmente, durante o decorrer do quarto milênio, as demais cidades-estados da Liga do Mar Vaio não eram formalmente sujeitos ou vassalos iliamíricos, mas a dinâmica interna da Liga havia sido alterada de tal modo que que as relações entre os membros e o Reino eram essencialmente feudais.

A segunda metade do quarto milênio trouxe um aumento das expedições abrasianas na Nárgassa, de modo que os membros independentes da Liga do Mar Vaio, mais próximos do centro das expedições, foram constantemente ameaçados. O perigo de invasão e a incapacidade dos pequenos estados de se defenderem independentemente levaram a um impulso à centralização da Liga. Com o tempo, as nobrezas locais buscaram refúgio em Aiós, capital de Iliamir, formalizando suas condições de vassalos. Apesar disso, o reino de Iliamir, mesmo centralizado, foi desgastado, perdendo sua capacidade de acompanhar as capacidades bélicas e econômicas dos outros dois reinos nárgassos.

O Reino de SavassilEditar

O povo sávasso, grupo étnico do sul tropical e densamente florestado da ilha de Sívissa, historicamente manteve sua identidade e estrutura social relativamente separadas dos nárgasso insulares do seu norte. Influenciados pelo comércio e pelos comerciantes da Letânia mais que pelos seus vizinhos ao norte das selvas, os estados savassílicos da antiguidade guerreavam entre si pelo controle das especiarias que exportavam, apenas ocasionalmente entrando em conflitos com as cidades do norte sívisso por controle da região de savana que separa as duas regiões da Ilha.
Estandarte usado pelo monarca Savaorkeiss Uimaioi IV na batalha de Arvés, e posteriormente pelo reino de Savassil
Estandarte usado pela cidade de Actóiss, e posteriormente pelo reino de Harrom
A data é incerta, mas a história aponta que, em algum momento do século XLII, três cidades-estados do sul da região, por meio de mortes coincidentes de seus líderes (provavelmente assassinatos, mas não há evidência suficiente para afirmar), caíram sob o controle de um único rei. Com o exército unificado das três, o monarca iniciou uma campanha militar que ultrapassou sua vida, terminando apenas com a conquista da antiga cidade de Touimais, na fronteira norte da savana sívissa, por seu sobrinho-neto, então coroado Savaorkeiss Toumkareiss Utoivi I, Rei de Savassil.

O primeiro dos três reinos clássicos nárgassos a se formar, Savassil dominou, em seu auge, mais de dois terços da ilha de Sívissa, a maior da região, e chegou a ameaçar os portões da cidade de Actóiss, então capital do reino de Harrom. Contou com o maior dos exércitos da Nárgassa, mas uma vez cortada a sua conexão com o comércio na Letânia, perdeu a capacidade de acompanhar economicamente seus dois competidores, gradualmente sendo forçado a apenas defender seu território nas florestas em lugar de disputar território com seu vizinho ao norte.

O Reino de HarromEditar

Também conhecido como o "Reino do Meio" (Zioiorge, em nargo), o reino de Harrom foi fundado em 4327 por Haremorgoss Iuav I, antes reinando sobre a cidade de Actóiss. Um dos maiores centros comerciais da Nárgassa à época, os actóicos tinham tanto acesso a uma respeitável frota mercante e bélica quanto ao amplo cultivo de grãos e mineração de mármore do norte da ilha de Sívissa. Após a vitória de Iuav I sobre a cidade rival de Yrtali, ao sul da península de Arágaze, e sua subsequente coroação como rei de Harrom, a maior parte das aquisições territoriais do reino foram realizadas através da vassalagem. o sistema de Bioidarorge ("nobre entrega de comando", em tradução literal), como era chamado pelos lordes do norte da sívissa, consistia na concessão de senhorio e de honra de um senhor local ao monarca harrômio reinante, e foi amplamente utilizado nas décadas que se seguiram à formação do reino de Harrom.

Estando localizado geograficamente no centro da Nárgassa, o reino de Harrom teve amplo acesso aos seus vizinhos insulares e suas riquezas, mas também foi alvo de constante pressão de seus dois vizinhos a norte e a sul. Sendo forçado a manter tanto um exército terrestre bem armado para manter sua fronteira ao sul com Savassil quanto uma frota para contestar a dominação iliamírica sobre os mares internos da Nárgassa, Harrom frequentemente se viu à beira da dominação. No entanto, sua geografia montanhosa e seus vários estreitos forneceram posições defensivas de extrema vantagem. Há pelo menos quatro instâncias individuais do reino harrômico sendo salvo em batalhas decisivas nessas regiões de terreno árduo ou estreito, contra ambos seus vizinhos poderosos.

A batalha de Arvés, lutada na entrada da península de Arágaze, foi um dos eventos mais marcantes da história de Harrom. Reuniu os dois maiores exércitos da idade média nárgassa, convocados pelos monarcas Haremorgoss Iuavisso III de Harrom e Savaorkeiss Uimaioi IV de Savassil. Uimaioi IV de Savassil nasceu Umaissis de Actóiss, membro da família real dos Haremorgoss da época. No entanto, após uma crise de sucessão em Savassil, foi selecionado pelo Conselho de Anciões do reino do sul como o mais legítimo herdeiro, e assumiu o trono de Savassil aos 13 anos de idade. 11 anos depois, tendo adotado um nome sávasso, invadiu Harrom em uma tentativa de concretizar sua reinvidicação do trono harrômio e unificar a Sívissa. A batalha de Arvés foi vencida pelos exércitos savassílicos, que ganharam acesso direto à capital harrômia de Actóiss, chegando o mais perto de derrotá-los que qualquer monarca antes. O cerco de Actóiss foi longo, porém, pois a marinha harrômia impediu os savassílicos de completamente cercarem a cidade, de forma que eventualmente foram forçados a recuar. A batalha, apesar de não terganho a guerra para Uimaioi, foi o primeiro evento da história nárgassa a ser amplamente recordada oralmente e em escrita, e hoje compõe parte definitiva do imaginário nacional nárgasso.

O Império NargássicoEditar

O Império Nargássico, formado em 5034, foi a primeira entidade a dominar, sem real contestação, a inteiridade da Nárgassa. Proclamado por Nargassemorgoss Iuavisso I, antes Haremorgoss de Harrom, o Império foi também uma das monarquias mais duradouras de Adalar, apenas chegando ao fim com a proclamação da república em 5965. O milênio imperial, como foi chamado o período de domínio dos Nargassemorgoss, compreende um período enorme e complexo da história nárgassa. A continuidade do império, porém, é majoritariamente ilusória. Mesmo antes do cisma de Actóiss, que marca o fim da idade média nargássica, o império atravessou 4 dinastias e vivenciou alterações violentas em suas fronteiras e relações de poder internas. A figura simbólica do Nargassemorgoss e o título imperial como identidade comum, porém, permaneceram inalterados.

Estandarte geral do império. As cores específicas dependem da dinastia, mas o esquema foi mantido com poucas alterações ao longo milênio imperial

O Reinado de Iuavisso IEditar

No século LI, a era das três potências veio a um súbito fim, entregue pelas mãos do Monarca Haremorgoss Iuavisso VIII de Harrom, que, por razões ainda debatidas por historiadores, conseguiu o que seus vários antecessores falharam em conseguir: subjugou, no espaço de meros 5 anos, os dois outros reinos da Nárgassa. Primeiro, valendo-se de inovadoras estratégias (e possivelmente armas), conduziu uma rápida mas brutal campanha que desestabilizou, e depois aniquilou, os exércitos savassílicos, anexando as regiões da densa floresta e da savana do sul da Sívissa. Depois, aproveitando um conveniente interregno no Reino de Iliamir, se aproximou de uma facção dissidente da aristocracia iliamíria, que obteve sucesso em um golpe de estado, e entregou as ilhas do norte da Nárgassa ao monarca harrômio, sem derramamento de sangue. Então, na sua recém-construída cidade imperial, Narra (ainda hoje capital da Nárgassa), Iuavisso VIII de Harrom foi coroado Nargassemorgoss Iuavisso I, imperador de toda a Nárgassa. Iuavisso I, então, pôs em exercício um plano extenso de reformas e de expansão da máquina administrativa nárgassa. Inclusive, em razão do seu projeto de unificação dos diferentes sistemas de escrita da região (herança dos sistemas importados de diferentes regiões na era do bronze), o escreveu, no que se tornou uma das maiores obras de filosofia política nárgassa. Além disso, detalhou e começou um processo de reavivamento da tradição naval nárgassa, estabelecendo formalmente um serviço dedicado de marinha imperial. No entanto, o jovem imperador teve sua vida interrompida subitamente por razões ainda debatidas (assassinato, afogamento, “acidente erótico” e até combustão espontânea são todas versões contadas dos eventos).

A Expansão Marítima e a Traissorge a NarraEditar

As administrações seguintes progrediram nas linhas deixadas por Iuavisso, mas o poder no Império Nárgasso rapidamente fraturou-se entre os herdeiros da família imperial e os poderosos generais do gigantesco exército que o próprio Iuavisso havia construído – os Tarraorgoss. Em razão da disputa entre essas seções da hierarquia nárgassa, o progresso nas pautas reformistas foi drasticamente desacelerado, e o isolamento, pauta dos generais, foi gradualmente readquirido. No entanto, os primeiros dois séculos do império viram a aplicação relativamente rígida das pautas estabelecidas por Iuavisso. Os imperadores Vissorgos, como eram chamados em homenagem ao fundador do império, se comprometeram à expansão das frotas nárgassas e à exploração das regiões distantes. Ao contrário das navegações abrasianas advindas do norte, as expedições imperiais nárgassas consistiam em poucos navios, mas equipados para longas distâncias.

O interesse da monarquia em grandes navegações e obras de infraestrutura propiciaram uma renascença da intelectualidade e das técnicas de engenharia das ilhas. A padronização dos sistemas de escrita e imposição do nargo como lingua oficial do império, para além disso, possibilitaram maior comunicação e mobilidade dos corpos científicos e burocráticos do império. A congragação de intelectualidades diversas na capital propicia Nargassemorgoss Iuavisso III a, em 5119, construir a Traissorge a Narra, uma academia de todos os conhecimentos e conhecidos, que passou a funcionar simultaneamente como uma espécie de pseudouniversidade e a maior coleção de trabalhos escritos da Nárgassa.

Idade Média na NárgassaEditar

O surgimento do TarraorgossadoEditar

Em razão dos interesses dos Nargassemorgoss continuamente se dirigirem ao além-mar, a responsabilidade pelos conflitos internos das províncias da Nárgassa foram gradualmente delegadas aos Tarraorgoss, generais com altos níveis de autonomia criados por Iuavisso I durante a conquista de Savassil. Por muito tempo, o sistema pareceu funcionar a favor dos interesses imperiais, garantindo uma ordem de relativa estabilidade. No entanto, após aproximadamente os primeiros dois séculos, os Tarraorgoss detinham mais poder militar e mais controle administrativo sobre as províncias que o Império, de modo que, ao se articularem para formar um conselho próprio, efetivamente criaram um governo paralelo.

O teste de forças entre os Nargassemorgoss e os Tarraorgoss se deu no ano de 5276, quando Nargassemorgoss Iuavisso IX, em uma tentativa de reaver controle direto imperial sobre algumas das províncias da Sívissa, decreta inválidos os títulos de dois Tarraorgoss da região. Em resposta, o conselho do Tarraorgossado (Tarraorge) se lança em rebelião aberta contra o governo imperial em Narra, no conflito que veio a ser conhecido como a Guerra das Estátuas, em razão da grande quantidade de estátuas imperiais destuídas pelos rebldes. Apoiados por uma facção minoritária de Tarraorgoss leais, pelo exército imperial da Nárgassa e pela marinha imperial, Iuavisso IX e a família imperial lutaram diversas batalhas contra os generais liderados por Uraioi a Mértrái.

Formalmente, não houve vencedores na guerra das estátuas, sendo o tratado bilateral de paz assinado em Narra em 5303. Os termos do tratado, porém, favoreceram os Tarraorgoss: em troca do direito de revogar um dos títulos que causaram o conflito, os imperiais formalmente reconheceram a existência do Tarraorge como órgão imperial, deram aos Tarraorgoss o direito de construir frotas próprias de marinha e concederam aos generais a cidade de Actóiss (então ainda a cidade mais populosa da Nárgassa). Mesmo não tendo perdido a guerra, os imperadores vissorgos perderam sua autoridade sobre a Nárgassa. O domínio do Tarraorgossado seria confirmado em 5360, quando o conselho em Actóiss derruba o imperador Nargassemorgoss Iuavisso XIII, pondo fim à dinastia dos Vissorgos, para coroar Uvaiss I, fundadora da dinastia Vaisga.

O Cisma de Actóiss e o Império DuploEditar

O Fim da Guerra das Estátuas, que reconheceu a Tarraorge como instituição independente, criou profundas contradições na estrutura de poder na Nárgassa. O processo de desenvolvimento dos poderes regionais, especificamente sob a forma dos Tarraorgoss provincianos na Sívissa, em Vaissas e em algumas das maiores ilhas, viu a erupção das tensões entre às simultâneas lealdades à Tarraorge em Actóiss e ao Trono Imperial em Narra. Conflitos sobre a cobrança de impostos, por exemplo, frequentemente resultavam em tensões entre as instituições que, na prática, haviam se tornado governos paralelos. Em 5432, quando oficiais imperiais impedem a cobrança de impostos da Tarraorge na Sávassa em uma disputa que conduz a um extenso cerco, o frágil status quo entre os governadores militares e os imperadores finalmente é quebrado, num evento que ficou conhecido como o Cisma de Actóiss.

Após um congresso, sedeado na Tarraorge em Actóiss, que contou com a presença da vasta maioria dos Tarraorgoss provincianos, os governadores militares anunciam à Imperatriz Uivi II que consideram a Tarraorge a sua única autoridade governante direta. Apesar de a Tarraorge, por sua vez, dever lealdade ao Império, a centralização de todos os Tarraorgoss atrás de uma única instituição que os representava fez com que, na prática, o Império não tivesse autoridade para demandar tributos conforme fosse conveniente - as quantias deveriam ser acertadas com a Tarraorge, e, devido ao tamanho dessa última, ela sempre contaria com poder de barganha.

Famosamente, esse desenvolvimento levou ao Suicídio da Imperatriz Uivi II no dia primeiro de Yohan, evento que, por séculos, serviu de base para inúmeras peças artísticas, bem como deu tom ao discurso imperial de oposição à Tarraorge. Muitos acreditam que, ao menos em parte, Uivi II tirou sua própria vida em uma tentativa de impedir a concretização do Cisma de Actóiss - algo aparentemente evidenciado pelo trecho "Tenham a minha vida, homens armados! Dela se nutram o quanto quiserem! Mas, por todos os Deuses, meus e teus, não comam da Nárgassa!", atribuído ao discurso de morte da Imperatriz.

De fato, por dez anos após a morte de Uivi II, o respeito à figura do manto Imperial impediu a Tarraorge de concretizar suas aspirações; no entanto, durante o reinado de Iuai IV, os governadores provincianos silenciosamente pararam de enviar seus pagamentos a Narra. Amedrontados pelo espectro de uma guerra civil concomitantemente às incursões piratas advindas de Ay-Bras, os conselheiros do Imperador o conduziram a aceitar o movimento dos Tarraorgoss, e o Império não contestou a realização do Cisma de Actóiss.

A marinha imperial, porém, ainda era substantivamente maior e melhor equipada que as armadas locais e desorganizadas construídas pelos Tarraorgoss costeiros, de modo que, devido à natureza insular do Império, o trono em Narra ainda contava com as diversas ilhas e o comércio como fontes estáveis - e protegidas de contestação da Tarraorge - de renda. Dessa forma, enquanto os Imperadores, a partir de 5442, não contavam mais com o domínio efetivo de seu exército, também não eram ainda completas marionetes da Tarraorge em Actóiss. Essa nova ordem de estabilidade bipolar no Império Nárgasso ficou conhecida como o Império Duplo, e perdurou por séculos, sobrevivendo a diversas tensões e trocas de dinastias.

Modernidade e Era ContemporâneaEditar

O Golpe Imperial e os Tratados OpressoresEditar

Ao final do século LIX, a família imperial havia, na prática, sido transformada em marionete do tarraorgossado. Em razão disso, quando as primeiras expedições dos poderes coloniais chegaram as praias nárgassas, a imperatriz Nargassemorgossa Uvaiss III, astuta estadista, buscou se aproximar. No ano 5873, como resultado da insistência dos Tarraorgoss em quase total isolamento das potências astarteanas, a Imperatriz coordenou e executou um golpe de estado, apoiada de perto pelas potências do ultramar e pela marinha, no qual os poderes do tarraorgossado foram forçosamente extraídos pelas armas de fogo aubers, e devolvidos à imperatriz. Uvaiss III havia presenciado o poder devastador das armas astarteanas, e seu orgulho imperial não a impedia de perceber que a Nárgassa não podia garantir sua independência uma vez que os estrangeiros se apoderassem de suas costas. Era a esperança da Imperatriz, quando concordou com o plano multinacional para derrubar seus generais, que as potências imperiais não conseguissem, por medo de um conflito entre elas próprias, se apoderar da Nárgasssa. No entanto, a coalizão imperialista impôs, ao longo das décadas que se seguiram ao golpe, condições extremamente desiguais ao comércio nárgasso, bem como forçaram o governo imperial a eximir os nacionais das potências astarteanas de julgamento na Nárgassa. O progresso tecnológico e econômico que os imperiais esperavam voltou a acontecer, mas foi lento e desigual, bem como extraiu muito mais riqueza do que injetou.

O Primeiro Levante da Marinha e a proclamação da RepúblicaEditar

No ano de 5962, durante o reinado de Nargassemorgoss Iuali VII, a nascente classe média e classe operária organizaram protestos anti-monárquicos em uma escala nunca antes vista. Liderados pelo partido clandestino “Partil ia Librói a Nargassas” (Partido pela Libertação da Nárgassa), após meses de estado de cerco nas maiores cidades do país, os manifestantes pleitearam com sucesso os líderes da marinha pela deposição do monarca. Em 2 de Junho de 5962, o Almirante Triaín a Martrei posiciona sua frota em frente à baía de Narra, demandando a renúncia do Imperador, e a entrega do poder ao povo, sob pena do bombardeio do bairro imperial. Sem interesse de continuar no poder, Iuali VII renúncia, se tornando o último monarca a governar a Nárgassa. Triaín assume o manto de Governador Provisório das províncias da Nárgassa (Imorgoss Atempir a Hareii a Nargassas). Em 5964, o almirante entrega o poder a uma câmara eleita de representantes provinciais, que com o tempo evoluiu à atual Assembléia do Povo da Nárgassa (Azembla a Popol a Nargassas), que, em 5965, revogou unilateralmente os “tratados desiguais” impostos pelas potências imperialistas, que na época estavam envolvidas na Grande Guerra, proclamando oficialmente a República da Nárgassa Desde então, o governo republicano oscila entre períodos democráticos e autocráticos, muito influenciado pelas oligarquias formadas em consequência da exploração pseudocolonial. Atualmente, o país atravessa um período relativamente extenso de democracia, patrocinado pelo governo de centro-esquerda do Partil Demokraze Nargasse (Partido Democrático Nárgasso).

A República das FantasiasEditar

O Segundo Levante da Marinha e o Governo de Iéssos a DeiriEditar

A Constituição de 5991 o Retorno DemocráticoEditar